Tudo o que ele quer é estar em paz

Ele anda e para diante da fonte,
sorve um gole,
senta,
olha firme o horizonte.
Ele pensa,
rumina,
nada diz.
O vento é forte,
a tempestade está próxima,
há uma barra,
uma faixa escura a vir de encontro dele,
mesmo assim,
ele não se move.
Os primeiros trovões soam,
os iniciais pingos são volumosos e tocam a sua face,
nenhum deles escorre,
pois um a um penetram em sua carne e encharcam a sua vingança,
a sua alma,
a sua dor.
Os transeuntes o olham e não creem,
alguns fazem o sinal da cruz,
e outros tantos resmungam:
“Deus,
ele está seco,
mesmo embaixo de chuva ele está seco”.
Calado,
ele se levanta,
e errante se move em direção do horizonte,
porque tudo o que ele quer é estar em paz,
afinal de contas,
ele está seco,
cansado de simplesmente,
matar.